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Aurora, Ceará, Brazil
Músico licenciado do curso de Música da Universidade Federal do Ceará - Campus Cariri.
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sexta-feira, 11 de março de 2011

A Origem do Carnaval




        O carnaval, como todos sabem, faz parte da cultura do povo brasileiro, mas, o que muita gente não sabe é de sua origem, que por sinal é muito curiosa e até mesmo contraditória em princípios.
        A festa teve sua origem, ou ligação, na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Os  gregos e romanos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção nas festas pagãs gregas e romanas, que eram de caráter libertinoso, fazendo assim com que se consumisse nessas festas o sexo, bebidas, orgias e muita música alegre e mundana. As festas eram conhecidas como bacanais ( em homenagem a Baco, o deus do vinho e da orgia ), lupercais ( em homenagem ao deus obsceno Pã, também chamado de Luperco), e saturnais ( em homenagem ao deus Saturno que, segundo a mitologia grega, devorou seus próprios filhos). Desde então era vista com intolerância pela Igreja. 
        Com o passar do tempo, o carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, o que ocorreu de fato em 590 d.C. Até então, o carnaval era uma festa condenada pela Igreja por suas realizações em canto e dança que aos olhos cristãos eram atos pecaminosos.
        A partir da adoção do carnaval por parte da Igreja, a festa passou a ser comemorada através de cultos oficiais, o que bania os “atos pecaminosos”. Tal modificação foi fortemente espantosa aos olhos do povo, já que fugia das reais origens da festa, como o festejo pela alegria e pelas conquistas.
        Em 1545, durante o Concílio de Trento, o carnaval voltou a ser uma festa popular. Em aproximadamente 1723, o carnaval chegou ao Brasil sob influência europeia. Ocorria através de desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas de forma semelhante à de hoje.


FONTES:
Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola
http://www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm
http://www.portalnovavida.org.br/informe-se/noticias/2/4755-as-raizes-do-carnaval.html 
     

domingo, 6 de março de 2011

Educação Musical na Escola, Como Vai Ser?


     

        De acordo com a lei nº 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008,  determina que a música deve ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica. Com base nessas informações, o que devemos esperar de tamanho desafio?
        Se formos ver na história da educação musical brasileira, podemos observar que há registros do uso da música na educação desde a chegada dos jesuítas ao país. Neste período, a música, bem como as demais artes, era empregada na catequese. Mas devido as mudanças na legislação educacional impetradas pelo Marquês de Pombal em meados do século XVIII que foram responsáveis pela desestruturação do ensino religioso sem, contudo, implementar um sistema educacional laico, público e gratuito, fizeram com que houvesse de certa forma uma pausa no ensino musical.
        Durante o Estado Novo, houve o maior movimento de Educação Musical de massas já ocorrido no Brasil, liderado pelo maestro Villa-Lobos e apoiado pelo então presidente Getúlio Vargas, o Canto Orfeônico ganhou força e esteve presente até o final da década de 60. De lá pra cá, o ensino da música em âmbito público foi cada vez mais se enfraquecendo. Porém depois da promulgação da lei nº 11.769, que obriga que a música se torne conteúdo obrigatório em toda a educação básica, faz com que olhemos com esperança e entusiasmo. Mas, o que será realmente ensinado em sala de aula?
        De acordo com a professora Cléria Craveiro, conselheira da Câmara de Educação Básica do CNE (Conselho Nacional da Educação), nos dá um esclarecimento que dá pra ter uma idéia do que vão ser as aulas de música: "O objetivo não é formar músicos, mas desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a integração dos alunos". Pois é, pra quem pensou que iria ensinar teoria musical, instrumentos musicais, e etc... de certa forma se enganou, já que também de acordo com o site do Governo Federal também diz: "Ninguém deverá aprender as notas e como ler uma partitura, mas sim conhecer cantos, ritmos e instrumentos típicos brasileiros e a diversidade cultural de nosso país."
        Apesar dessas informações, nada impede de o professor trabalhar teoria musical, ensinar um instrumento musical específico, formar coral, uma vez que se pode fazer isso de maneira extra-curricular. Lembrando que o ensino de música se tornará obrigatório apartir do segundo semestre de 2011, fazendo assim com que todas as escolas comecem de forma obrigatória, caso não seja cumprido essa meta, a instituição de ensino pode ser punida/multada.



FONTES:
http://www.brasil.gov.br/sobre/cultura/musica/educacao-musical
http://pt.wikipedia.org/wiki/Educação_musical 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Importância da Mulher Para a Música

                              Quadro Mulheres tocando - Sadic Tomac



        Vivemos em uma era em que se discute muito sobre o papel da mulher na sociedade, na família, no trabalho, mas não é comum ouvir discussões dessa natureza voltadas para o lado da música. Naturalmente, pois não vivemos numa sociedade musical, isso é justificável.
        Vendo por um olhar um tanto prematuro e menos aprofundado, podemos observar que a mulher tem papel mais importante com a voz dentro da esfera musical, ou seja, a mulher humaniza aquilo que é produzido pelo homem, muitas vezes serve de ponte para que seja realizada essa comunicação pelos sentimentos, já que a mulher, cientificamente falando é melhor no lado entre relação pessoal e emoções. Mas fora isso, mantêm um papel apagado em composições, arranjos, regência e na própria música erudita. Se bem que isso está mudando, pois assim como na sociedade, no trabalho e em outros grupos... A mulher vem crescendo também no meio musical.
        Com o passar dos séculos a mulher foi ganhando cada vez mais coragem e vontade de driblar as dificuldades impostas pela sociedade machista e preconceituosa. Observando por uma espécie de linha do tempo, poderemos ver vários exemplos de como a mulher se superou e surpreendeu o mundo musical no Brasil e no mundo.
        Elas se destacaram como cantoras, interpretes, instrumentistas, influências (no modo de vestir, comportamento, na ousadia), mas acima de tudo isso, se destacaram por serem mulheres, e por terem a capacidade e a vontade de derrubar um dilema criado pelo mundo machista, a de que "mulher é um sexo frágil".
        Abaixo fiz uma lista de algumas mulheres que considero revolucionárias para o meio musical mundial:

CHIQUINHA GONZAGA

Brasileira, nasceu em pleno século XIX, mais precisamente no ano de 1847. Foi pianista, compositora e regente. Conseguiu contrariar a todos naquela época e ao mesmo tempo surpreender com seu talento, coragem e atitude! Compôs a primeira marcha carnavalesca, que inclusive é cantada até hoje: "Ô Abre Álas!". Também foi a primeira a reger uma orquestra no Brasil.



       
                                                
CARMEN MIRANDA

Luso-Brasileira, Nasceu em Portugal, no ano de 1909, no entanto em 1910 sua mãe veio ao encontro do marido que já se encontrara no Brasil desde o nascimento de Carmen. Sua carreira artística transcorreu o Brasil e os EUA entre as décadas de 30 e 50. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos EUA. Foi a que mais representou o Brasil no exterior, com suas roupas que traziam consigo diversidade, alegria, riqueza natural e a nossa "brasilidade".


ELIS REGINA
Brasileira, nasceu no ano de 1945. Deixou vasta e brilhante obra na música popular brasileira. A discografia apresenta mais de 35 títulos. Começou a cantar aos 11 anos de idade. Porém só em 1961 gravou seu 1º disco no Rio de Janeiro. Seu estilo percorria o fino da bossa nova, se tornando uma das principais referências vocais desse gênero. Durante os anos 70, aprimorou constantemente a técnica e domínio vocal. Elis Regina criticou muitas vezes a ditadura brasileira, nos difíceis Anos de chumbo, quando muitos músicos foram perseguidos e exilados. Mas a sua popularidade a manteve fora da prisão. Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira.
                                     

                                    
MERCEDES SOSA

Argentina, nasceu no ano de 1935. Logo ficou conhecida como dona da voz dos "sem voz". Foi uma cantora de grande apelo popular na América Latina. Suas raízes vem da música folclórica argentina. Se tornou uma das expoentes do movimento conhecido como "Nueva Canción".
Sosa era Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO para a América Latina e o Caribe. Em 2000, ela ganhou o Grammy Latino de melhor álbum de música folclórica por Misa Criolla,  em 2003 com Acústico e em 2006 com Corazón Libre. Dividiu o palco com grandes cantores da MPB como: Chico Buarque, Gal Costa, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Beth Carvalho, Fagner e por último, no ano de 2007 com Maria Rita . Por muitos é considerada a maior cantora da América Latina.


JANIS JOPLIN
Estadunidense, nasceu em 1943. Foi cantora e compositora. No final dos anos 60 tornou-se conhecida como vocalista da banda "Big Brother and the Holding Company", e logo após como artista solo. Ela hoje é lembrada por sua voz forte e marcante, e também pelos temas de dor e perda que escolhia para suas músicas. Influenciou toda uma geração, com sua rebeldia e seu modo de cantar. Janis Joplin esteve no Brasil em fevereiro de 1970, na tentativa de se livrar do vício da heroína. Porém causou um alvoroço, fez topless em copacabana, bebeu muito. Porém, apesar de tudo, percebe-se que durante sua vida realizou todos os seus desejos e vontades.


                                                       



 MIRIAM MAKEBA

Sul-Africana, nasceu em 1932. É conhecida também pelo nome: "Mama África". Além de cantora, foi uma grande ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid em sua terra natal.
Trabalhou junto com Sivuca, e a parceria alavancou um grande sucesso mundial com a música: "Pata Pata". sendo os arranjos originais de Sivuca. Em 1963, depois de um testemunho veemente sobre as condições dos negros na África do Sul, perante o Comitê das Nações Unidas contra o Apartheid, os seus discos foram banidos do país pelo governo racista; o seu direito de regresso ao lar e a sua nacionalidade sul-africana foram cassados, tornando-se apátrida. Com o fim do apartheid, Miriam Makeba regressou finalmente à sua pátria em 1990, a pedido do presidente Nelson Mandela, que a recebeu pessoalmente à chegada.

        

        Grandes mulheres, que fizeram a diferença em suas épocas e puderam modificar as concepções e idéias e enfrentar toda uma sociedade machista. Defenderam suas bandeiras e deixaram a música com seus toques femininos. Influenciaram atitudes, moda, estilo, coragem e acima de tudo o amor pela arte.



 FONTES:  

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmen_Miranda
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chiquinha_Gonzag
http://pt.wikipedia.org/wiki/Elis_Regina 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercedes_Sosa
http://www.vermutecomamendoim.com/2009/10/parcerias-brasileiras-de-mercedes-sosa.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Janis_Joplin
http://pt.wikipedia.org/wiki/Miriam_Makeba 
http://www.algosobre.com.br/biografias/sivuca.html

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Música no Cariri: Padre Ágio.: Por Izaira Silvino.

 
                                                       EXEMPLO DE VIDA...

        
         Conhecer Ágio Augusto Moreira é aprender a reconhecer a força do querer humano. É entender que "querer é poder"! Há 44 anos, este homem - músico, educador, temente a Deus - plantou uma semente, na subida da Chapada do Araripe, no Belmonte - Crato. Uma semente sonora, musical, uma escola rural de música (creio que, a primeira do Brasil). 
        Hoje, 2011, aquele Homem, que é padre também, ao completar noventa e três anos de idade, vê a colheita prodigiosa de sua plantação! Uma orquestra filarmônica (a Padre David Moreira), uma banda de música (a Zequinha de Abreu), uma orquestra ensemble (a Solibel Ensemble), um coral misto a quatro vozes (o Coral Santa Cecília), uma escola de Música (a Heitor Villa Lobos), cerca de duzentos cidadãos musicando o mundo, uma plêiade de crianças, jovens, adultos e velhos escrevedo suas sinas, satisfazendo suas ânsias de ser aprendiz da vida, fazedor de história, Músico do Cariri! Uma sede própria, com salas de aula, biblioteca, teatro, jardins, alegrias, cursos de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta, clarinete, oboé, clarone, tuba, computação etc, etc, etc... No 'etc' está o futuro - que a Deus pertence e a nós presenças!
        Ágio Augusto Moreira, um dos maiores educadores do Brasil, um revolucionário da PAZ (como Gandhi), um pedagogo musical, um benzedor de vida, um crente na humanidade, um homem que ganha tempo fazendo seu tempo e criando humanidade plena de grandeza... ecoando neste Cariri...
        Som na Caixa da Vida, minha gente, viver é preciso, fazer história de gente é necessário!
Ágio Augusto Moreira, Monsenhor da Igreja Católica do Cariri.
Benza-o Deus!
AMÉM!

Izaira Silvino

domingo, 23 de janeiro de 2011

Parabéns aos futuros colegas do curso de licenciatura em música da UFC-Cariri!!!



ADECIO LUCAS LIMA VIEIRA
ALISSON RANIERE TAVARES FERREIRA
ALLIS SPINOSA FIGUEIREDO
AMANDA ANDRADE CARVALHO
ANGELICA ADRIENE THOMAZ DE SOUZA PRADO
AYRTON GUSTAVO ALBUQUERQUE FARIAS
CARLO LIMA CESCONETTO
CARLOS DE SOUSA LIMA FILHO
CICERO DAIAN RODRIGUES ALVES
CICERO WAGNER OLIVEIRA PINHEIRO
CIRO PEDROSA ALVES
DAVID OLIVEIRA SILVA
DAVYD DAVYNSON LOPES LEANDRO FURTADO
DEBORA LOPES SOARES
EVANDRO NASCIMENTO DE SOUZA
FABIO RICARTE BENICIO FILHO
FERMINIO LUCIANO GALDINO DE LIMA
FRANCISCO DANIEL GOMES DA CRUZ
FRANCISCO FERREIRA CAMPOS JUNIOR
FRANCISCO JEFFERSON TORRES DE OLIVEIRA
ISAAC BRIGIDO RODRIGUES DO SANTOS
JOSE JOAMIR CARDOSO SILVA
JOSE RAMON ALCANTARA DA SILVA
JUAN DE LUNA RODRIGUES
LEONARDO DE FRANCA FEITOSA SOUSA
LUCAS TAVARES LOPES
LUCIANO BRITO DA SILVA GOMES
LUIZ FELIPE CORREA PRADO
MARIA ACACYA ARAUJO SIQUEIRA
MARIA DEIVIANE AGOSTINHO DOS SANTOS
MAURICIO ANTONIO DOS SANTOS
PALLOMA PONCIANO CALDAS
RODOLPHO CAVALCANTE TELES
ROSA JANINE ALVES OLIVEIRA
SARA REGINA NUNES DE ALMEIDA
TATIANA DA SILVA SANTOS
VALQUIRIA FREITAS DE VASCONCELOS ARAUJO
VICTOR ICARO BRASILEIRO OLIVEIRA
VICTOR VENTURA BELO
WANDEMBERG ALENCAR DOS SANTOS



APROVEITA E DEIXE SEU COMENTÁRIO SE O SEU NOME ESTIVER NA LISTA, SOBRE A SUA PERSPECTIVA PARA COM O CURSO! OU PERGUNTAR SOBRE ALGUMA DÚVIDA QUE TENHA!.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A importância da modinha e do lundu para a música brasileira.



                                                                                    Modinha.
       
         A modinha surgiu no Brasil no século XVIII e se popularizou graças ao sucesso que o mulato Domingos Caldas Barbosa alcançou na corte portuguesa. Desde então a modinha foi considerada o primeiro gênero de música especificamente brasileira, ao qual conseguiu chegar ao gosto da população brasileira.  
        Antes de a modinha chegar aqui no Brasil e se popularizar, ela já existia em Portugal, porém com características poéticas e musicais distintas das características que viera a ganhar aqui no Brasil. As principais características que a modinha portuguesa tem é que são canções líricas, singelas e de curta duração, feita para uma ou duas vozes e tocadas com guitarra ou teclado, já a modinha brasileira se define e se diferencia da outra por ter aspectos diferentes como: melodia ondulante, entrecortadas e compostas por motivos sincopados, cromatismos melódicos, porém com um acompanhamento singelo e sempre primando por uma certa delicadeza, ao qual são características da moda portuguesa. Há também modinhas que se destacam por ter uma personalidade própria, que trazem consigo elementos que podemos associar aos elementos afro-brasileiros e forma uma base para o choro, o maxixe e consequentemente o samba.  
        Fomos ao logo do tempo muito influenciados pela cultura européia, especificamente por Portugal e pela Itália, mas apesar da forte influência social, cultural e musical, conseguimos nos sobressair e criar características próprias dentro da modinha que nos levaram a base de outros gêneros como o maxixe, samba e o choro, que foi a questão da frase sincopada e também do staccato da viola de arame, essas duas características citadas formam um elo muito grande da modinha com os ritmos citados nesse parágrafo.  
        É importante ressaltar que a modinha veio das classes mais abastadas e aos poucos foi se popularizando até se tornar o principal meio de expressividade musical tanto em Portugal quanto no Brasil, esse fenômeno é de se chamar muita atenção, já que existe outro gênero que também foi muito famoso no mesmo período (XVIII) e que ao qual o efeito foi contrário. O lundu é um estilo de dança que foi originado pelos escravizados africanos trazidos para o Brasil e que acabou se aproximando da modinha, fazendo com que se criassem novos estilos provenientes dessa fusão, como: lundu-canção, lundu-dança.  
                                                                                      Lundu.
        
        
        O lundu como já citado veio dos africanos escravizados trazidos pelos portugueses e teve sua fama já no século XVIII, apesar da forte resistência que teve no início pela igreja e até mesmo pela corte foi aos poucos ganhando espaço e também a graça da elite e da corte portuguesa, fazendo assim um efeito contrário da modinha, que veio da elite até o povo, já o lundu, como pode observar, saiu do povo e com o passar do tempo e com algumas mudanças em suas características conseguiu alcançar a elite.  
        As principais características musicais do lundu são: predominância de tonalidade maior, peça para voz solista ou a duas vozes, compasso binário simples e linha melódica sincopada. Já características textuais podemos destacar o uso de refrão e de quadra com versos em redondilha maior.  
        A modinha e o lundu se tornaram os principais meios de manifestações musicais do século XIX, fazendo com que fossem cultivadas tanto no meio popular quanto no meio erudito. Podemos destacar grandes nomes da música que utilizaram em suas composições a modinha e o lundu, como por exemplo: Pe. José Maurício, Marcos Portugal, Carlos Gomes... mas nenhum deles se sobressaiu mais do que Domingos Caldas Barbosa, que fez com que esses gêneros ficassem reconhecidos tanto pela corte quanto pela população.
        A modinha e o lundu hoje em dia, de acordo com opiniões de musicólogos e historiadores forma o pilar fundamental da música popular brasileira e foi utilizada por diversos compositores importantes ao longo do tempo, de exemplo podemos citar desde o mulato Domingos Barbosa (XVIII) até Tom Jobim (XX). Grandes nomes como Marcos Portugal (XVIII), Pe. José Maurício (XVIII), Carlos Gomes (XIX), Chiquinha Gonzaga (XIX), Xisto Bahia (XIX), Villa Lobos (XX) e Chico Buarque (XX), não podem deixar de ser citados. Com isso podemos ver a força com que esses gêneros puderam empregar a música brasileira e poder observar que nem o tempo é capaz de apagar a sua importância, pois a base da nossa música popular como podemos ver está na modinha e no lundu.
FONTES:

TINHORÃO, José Ramos. História Social da Música Popular Brasileira, São Paulo: ED 34,1998

LIMA, Edilson V. Modinha e o Lundu no Brasil: As primeiras manifestações da música popular urbana no Brasil. Revista Textos do Brasil, Brasília, p. 40 – 46, 10 jul.2005

Mestre Antônio Pinto

                  Mestre Antônio Pinto, construtor e tocador de rabeca.




        Antônio Pinto Fernandes nasceu no Sítio Cobra, Aurora-CE, no dia 18 de outubro de 1922, é agricultor, carpinteiro e luthier, teve como principal influência o seu pai José Pinto Fernandes, ao qual também era carpinteiro e tocador de rabeca, porém Mestre Antônio Pinto aprendeu a arte de fazer e tocar rabeca apenas observando o pai que possuía uma pequena forma que servia de molde para fabricar os instrumentos. Com uma das rabecas feitas pelo pai, mestre Antonio, ainda criança, foi pro mato munido apenas de um facão e lá aprendeu a construir suas rabecas. Foi aperfeiçoando seu ofício de forma intuitiva e criativa, utilizando o que tinha nas mãos e por vezes “emprestando” as ferramentas do pai. 
        Ao observarmos as suas rabecas percebemos que ele sofrera grande influência no estilo mineiro de se fazer o citado instrumento, pois o mesmo residiu em Minas Gerais e com o tempo que passou lá pôde adquirir as características da arte mineira, pois ao se fazer uma análise técnica sobre aspectos principais do instrumento podemos observar a diferença que vai desde seu tamanho e seu formato até os acessórios usados no instrumento, como o estandarte feito de chifre de boi. A madeira que ele usa é o cedro, e usa quatro cordas de violão, o que deixa o som cheio e grave. Os instrumentos feitos por ele possuem um comprimento de 62 cm, considerado grande se comparado as rabecas feitas aqui no cariri.
        O  Mestre Antônio além de aprender a fazer e tocar rabeca só ao observar, também não hesitou em ousar mais de uma vez ao tentar fazer suas próprias ferramentas para trabalho, podemos considerá-lo um artista nato, e construtor não só de rabecas, mas da cultura brasileira. Merecidamente ganhou em 2006 o título de Mestre da Cultura concedido pelo Governo do Estado do Ceará, que veio como uma forma de reconhecimento prestado por ele à cultura do nosso estado.


Fonte: http://www.rabeca.com.br/site/interna.php?url=artesaos#antoniopinto